domingo, 9 de maio de 2010

O primeiro conto que escrevi. Surgiu por uma "inspiração repentina". Ainda não tem título, espero sugestões!

Paff! Fez a porta quando Cíntia entrou cansada e com raiva em casa, depois da segunda semana de aula na quinta série. A avó viu a cena e ficou preocupada:
- O que houve querida?
- Odeio a escola! Não gosto de ter vários professores. E não entendo nada de Português! Sempre tem alguma coisa mais interessante pra fazer do que ficar nomeando substantivos, adjetivos e artigos.
A menina cruzou os braços, sentou-se no colo da avó enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Dona Lúcia, então, lembrou de uma história que acreditou que poderia contar para a neta.
- Já sei! Acabei de lembrar de uma história que aconteceu há cinqüenta e oito anos. É sobre uma garotinha da mesma idade que você.
Em 2011, uma garota de dez anos também não gostava de suas aulas de português. A professora só copiava no quadro o conteúdo da gramática e passava milhares de exercícios sem explicar o que deveriam fazer. Ela dizia que as respostas estavam no caderno. Mas Lucy não conseguia encontrá-las.
A mãe dela não conseguia compreender o desgostar da filha. Sempre dizia para Lucy:
- Sempre gostei tanto de Língua Portuguesa. Não entendo por que você não.
- Não entendo pra que tantas regras? Porque não posso falar ”agente foi”, ao invés de falar “nós fomos”. Porque tenho que saber o significado de palavras que nunca vou usar? E porque devo saber que um substantivo é um substantivo ou que um adjetivo é um adjetivo? Tudo isso pra aprender a falar certo?
A mãe não entendeu porque a professora de Lucy trabalhava assim. Então lembrou de sua professora, ligou para ela e pediu que desse algumas aulas extras depois do colégio. Após o primeiro dia de aula com a professora Sandra, a menina chegou em casa muito alegre.
- Mãe! Comecei a ler um livro muito legal, “A bolsa Amarela”. Nunca imaginei que existiriam aulas de português assim! A senhora sabe o que foi a Ditadura Militar? Descobri isso lendo este livro. Quero uma bolsa igual a da Raquel. Ainda aprendi a escrever cartas! A senhora sabia que podemos escrever até pra amigos imaginários?
- Nossa! Parece que a aula foi boa. – Disse dona Antônia. O que mais você aprendeu?
- Aprendi que em cartas posso escrever que “ninguém tá afim”, ao invés de escrever que “ninguém está com vontade”, ou que “ninguém está disposto”, como escrevem nos livros, jornais ou em artigos. Áh! E em telegramas temos que ser diretos, sem falar muito.
Lucy começou a se perguntar por que a aula de sua professora da escola não era tão legal assim. Não conseguia prestar atenção nas aulas. Não entendia porque a professora não deixava falar “tá”, e nem escrever assim em uma carta. Quando algum colega da menina falava assim em sala de aula a professora dizia que eles não sabiam falar Português. A menina ficava confusa. Que língua eles falavam afinal? Grego?
Adorava as aulas da professora Sandrinha, como chamava, mas dormia quando a aula de Língua Portuguesa começava na escola. E assim aconteceu nos quatro anos que vieram, até que a professora da escola se aposentou, no mesmo ano em que Lucy saiu da escola para estudar em uma de Ensino Médio. Lá, por coincidência, encontrou a professora Sandrinha. Adorou vê-la e estudar com ela por mais três anos. De tanto gostar da Língua que falava, decidiu estudar para ser uma ótima professora - como a sua professora Sandra.

- E assim termina a história da menina Lucy – diz a vovó.
- Nossa! Então não preciso decorar essas regras chatas pra aprender Português! Eu já sei falar essa língua. Mas quando posso falar “tá”? E o que é um telegrama? Pra que serve? O jeito de falar é diferente do jeito de escrever? Então posso falar “pra” ao invés de “para”?
- Você não precisa estudar regra por regra – a avó respondeu - porque quando você lê um livro essas regras já estão lá, mesmo sem perceber, você aprende. Em alguns momentos, em alguns tipos de texto pode sim falar “tá”ou “pra”, mas você precisa saber em quais momentos usar. Por exemplo em um telegrama informal, ás vezes, pode sim escrever assim.
- Vó, eu quero aulas de Português como as da Lucy. – Disse Cintia com um sorriso no rosto.
A avó ,então, sorriu e explicou:
- Posso lhe dar algumas aulas, pois aprendi com a professora Sandra. Lucy é como me chamavam quando tinha sua idade.

domingo, 21 de junho de 2009

Confusão?

Sou o que faço.
Serei o que farei.
Plantarei um filho,
escreverei uma árvore,
e terei um livro.
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d:D

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Identidade

Decidi ser o que não era.
Descobri que já era o que passei a ser.
Passei a ser o que era,
sem saber que já era.
O que era, era oculto,
mas era.
E sou.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Protesto dos estudantes de Manaus

Estudante é estudante
em todo lugar.
Não é qualquer governante
que vai nos fazer parar.

No dia do silencio
resolvemos não calar,
esquecer o ócio
e protestar.

O cinema é importante,
biblioteca não pode faltar.
Iremos adiante
pra não só ir e voltar ao nosso lar.

É isso aí pessoal, vamos lá! Na luta pela retomada de um direito nosso!
A meia-pasagem é nossa, e não adianta esses "politicos" baterem o pé. Não vamos parar.

"Sou estudante, não sou otário! Não vou bancar a vida mole de empresário!"

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Além


Uma pessoa não é o que é,
é o que sabe;
E o que sabe não é só o que lê,
é o que descobre;
E isto não está só nos livros de papel,
Está além deles:
Esse é o papel da vida e do livro.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Recomeço

Há algum tempo atrás, com a empolgação ao iniciar o curso de Letras da UEA, resolvi escrever. Sem muita experiência, apenas "com vontade". Em uma aula de introdução à computação, ministrada pelo professor Régis Caria, escrevi um poema, do qual gostei. Mas, depois de melhor análise ele me pareceu muito ruim, porém, já estava publicado neste blog, também incentivado por ele. Continuei escrevendo... e continuei não gostando do que escrevia, e olhem que nem escrevia muito, quase nada.
Mais de um ano depois da postagem, incentivada pela música escrevi o post "Dó, Ré, Me[mi], Fá, Sol, Lá, Si" e o deixei guardado em um guardanapo de papel.
Alguns meses depois de escrever este poema conheci através de uma amiga, Aline Gomes, um ótimo escritor de Haicais e poemas, o Ivam - Simples de coração (http://simplesdecoracao.blog.terra.com.br). E foi ele quem disse pra eu "me achar" pelo que escrevo, quando mostrei a ele o referido poema. Este foi um incentivo e tanto!
Então, decidi me dedicar ao que escrevo. Isto faz parte de mim, veio de mim.
Prometo publicar mais!
Abraço a todos!

Dó, Ré, Me [mi], Fá, Sol, Lá, Si...


O mundo dá voltas:
uma por dia ao redor de SI
uma por ano ao redor do SOL.
Não gira de RÉ,
gira sem DÓ.
Muda sem ME dizer
Não me avisa,
não FALA...
de que preciso para ser feliz.